Euclides da Cunha - Da face de um tapuia

Euclides da Cunha - Da face de um tapuia

Preço
R$ 30,00

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Organizadores: Anabelle Loivos Sangenis e Luiz Fernando Sangenis

160 páginas

ISBN 978-85-7884-133-1

A coleção “Introdução aos Clássicos Fluminenses” reúne, de forma inédita, os autores clássicos de origem fluminense que contribuíram significativamente para a formação literária brasileira. Além de apresentar às novas gerações os maiores nomes da literatura regional, a série, produzida em parceria com a Academia Fluminense de Letras e o Cenáculo Fluminense de História e Letras, visa a contribuir para o resgate e fortalecimento da identidade fluminense. 

Excerto do livro:

"Euclides participaria do adeus ao presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, cujo enterro aconteceu em 29 de setembro de 1908. Publicou, em 30 de setembro, no Jornal do Commercio, do Rio, a crônica “Última visita”, sobre a inesperada homenagem de um anônimo estudante (1)  a Machado de Assis. O rapaz de 17 anos, aluno do Colégio Abílio, de Niterói-RJ, atravessou a baía de Guanabara para encontrar o mestre em seu leito de morte, na casa do Cosme Velho, onde Machado convalescia em virtude de um câncer: “Chegou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu.” E continua, para o desfecho lírico da crônica: “Naquele momento o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo (...) em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis – aquele menino foi o maior homem de sua Terra” (CUNHA, 2009, V. 1, p 605). Com a morte de Machado, Euclides conduziu por um breve período a ABL, até passar o cargo de presidente para Rui Barbosa, que acabou assumindo por insistência do barão do Rio Branco (2)."

 

Nota (1): Este rapaz chamava-se Astrojildo Pereira Duarte Silva (1890-1865), que mais tarde se tornou um importante crítico e intelectual marxista brasileiro, além de ter sido líder da fundação do Partido Comunista, em 1922. Nascido em Rio Bonito-RJ e educado no Colégio Anchieta de Nova Friburgo-RJ, que abandonou no final do curso ginasial, Astrojildo envolveu-se, durante toda a juventude, em campanhas anarquistas e organizações operárias. Além de sua atuação política pelo PCB e de seu jornalismo militante, Astrojildo especializou-se, como crítico literário, nas obras de Machado de Assis e Lima Barreto. A confirmação da identidade do estudante que visitara o Machado moribundo foi feita por Heitor Ferreira Lima – amigo pessoal de Astrojildo Pereira e seu “camarada” no “Comitê de Ação” do Rio contra o Estado Novo varguista (cf. OLIVEIRA, José Roberto Guedes de Oliveira. Viva, Astrojildo Pereira! 4.ª capa de Antonio Cândido. São Paulo: Fundação Astrojildo Pereira, 2005. p. 31). Consta, porém, que somente 28 anos mais tarde o próprio Astrojildo permitiu a divulgação do episódio, através da eminente biógrafa de Machado de Assis, a escritora Lúcia Miguel Pereira (cf. PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis. Estudo crítico e biográfico. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1936).

 

Nota (2): Euclides da Cunha, que era grande amigo de Machado de Assis, presidiu apenas as primeiras reuniões após a morte do primeiro presidente da ABL, em virtude da ausência do vice-presidente, Joaquim Nabuco, e tentou fazer com que Rui Barbosa (que estava em campanha para presidência da República, contra Hermes da Fonseca) assumisse de imediato o cargo de Machado. O Jornal A Federação, do Rio Grande do Sul, de 05-10-1908, noticia: “Foi eleito, por unanimidade de votos, presidente da Academia de Lettras, em substituição a Machado de Assis, o senador Ruy Barbosa. A posse será terça-feira próxima.” A imprensa carioca chega a publicar a versão segundo a qual Rui Barbosa teria recusado a presidência da Academia, dizendo que só a aceitaria se eleito fosse por votação dos pares. Cf. A Federação, Porto Alegre, ano XXV, n.o 233, 5 out. 1908, p. 2. Porém, no dia seguinte, sai uma nota no mesmo, repercutindo o Correio da Manhã, onde lemos que “O Senador Ruy Barbosa, em carta que escreveu a Euclydes da Cunha, declarou não acceitar a presidencia da Academia de Lettras, expondo os motivos, entre os quaes o de ter obtido apenas 16 votos, em vez da unanimidade dos presentes, quando o numero de academicos é de 36.” Cf. A Federação, Porto Alegre, ano XXV, n.o 234, 6 out. 1908, p. 2. No entanto, na edição de 07-10-1908, o próprio jornal desmente a notícia veiculada, dizendo que Rui Barbosa tinha sido eleito por unanimidade e que tomaria posse da presidência da ABL, por um pedido pessoal do barão do Rio Branco, o que aconteceu no próprio dia 06 de outubro de 1908, às quatro horas da tarde: “Foi empossado no cargo de presidente da Academia de Lettras, o senador Ruy Barbosa. É falsa a notícia publicada no Correio da manhã dizendo que elle não acceitava o cargo.” Cf. A Federação, Porto Alegre, ano XXV, n.o 235, 7 out. 1908, p. 2.


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