Histórias perdidas do rock brasileiro
Autor: Nelio Rodrigues
128 páginas
Sinopse: Algumas das histórias perdidas do rock brasileiro: "Em Copacabana, os Selvagens se apresentaram num amplo terraço que se estendia como uma marquise sobre o andar térreo. Uma multidão se aglomerou diante da loja, bloqueando inteiramente a calçada e parte da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Deu-se um nó no trânsito. Buzinas, gritos, aplausos e o som alto dos amplificadores reverberavam como uma massa sonora indistinta entre os muros de prédios da importante artéria do bairro. Caos total." "...cada grupo levou o seu equipamento, transformando o palco num verdadeiro labirinto de amplificadores, caixas, guitarras etc. Além do mais, todos os amplificadores foram ligados em série. A coisa toda impressionava, em especial as duas enormes paredes de caixas de som, uma em cada lado do palco." "Era verão, noite estrelada, muita bebida, um pouco de drogas. Mendes se encanta com a multidão e com o visual que tem do clube, localizado na beira da praia. Amiden se encanta com tudo e toma um ácido. A banda sobe ao palco, o público aplaude. A banda parece perfeita, show lindo, vibrante. De repente, os solos de guitarra se tornam intermináveis. Amiden já não tem mais o controle do próprio cérebro. Quando o último acorde soa, Amiden desce do palco assustado. Quer ir embora, sumir dali, mas é levado pelo irmão Mário para a beira da praia. Os dois sentam na areia. Mário tenta acalmá-lo, enquanto Amiden se perde em plano existencial paralelo, numa viagem sem bilhete de volta."
Orelha: É comum se pensar no rock brasileiro apenas a partir dos anos 1980, com o surgimento e a afirmação de bandas como Blitz, Paralamas, Legião, Titãs e tantas outras. Quando se olha um pouco mais para trás, fala-se de Jovem Guarda, Mutantes, Secos e Molhados e pouco, muito pouco mais. Tudo certo, os citados são todos expressões de sucesso do rock nacional. Mas paralelamente à Jovem Guarda e mesmo antes, como escreve Nélio Rodrigues, os bravos guerreiros do rock já empunhavam suas guitarras. Nos anos 1960, eles eram combatidos à esquerda e à direita. Os primeiros viam "os cabeludos" apenas como um grupo de alienados a serviço do imperialismo americano, mesmo que sem se dar conta. Os outros, como potenciais subversivos que ameaçavam a sagrada família. Aliavam-se a uns e outros a precariedade do equipamente nacional, o desinteresse das gravadoras e as dificuldades de arranjar um palco. Mas eles estavam ali, furando os bloqueios, trazendo sons e comportamentos que se espalhavam pelo outro lado do Atlântico. "Histórias Perdidas", como o próprio título diz, trata desses "bravos guerreiros" e das táticas, frequentemente guerrilheiras, que eles usavam para mostrar que para além de amar os Bealtles e os Rolling Stones, o importante era fazer um som. Não era fácil, mas como prova esse que é o primeiro livro de uma série, eles sempre davam um jeito de anunciar: "aumenta que isso aí é rock'n'roll". FABIO RODRIGUES
ISBN: 9788578840266 Marca: Editora Nitpress
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