O caso Última Hora e o cerco da imprensa ao Governo Vargas

O caso Última Hora e o cerco da imprensa ao Governo Vargas

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R$ 44,00

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Autor: Aloysio Castelo de Carvalho

isbn: 9788578840860

296 páginas

Sinopese:

Depois de analisar a participação dos jornais na conspiração do golpe de 1964 no livro A Rede da Democracia - O Globo, O Jornal e o Jornal do Brasil na queda do governo Goulart, o professor Aloysio Castelo de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, volta ao estudo da atuação política da imprensa em seu novo trabalho: O caso Última Hora e o cerco da imprensa ao governo Vargas, também publicado em coedição pela Nitpress e pela Editora da UFF.

Em seu prefácio, a professora Maria Aparecida de Aquino, da USP, ressalta o caráter "presente e eterno" do tempo de que trata o livro. "É um tempo, como nos diz Hannah Arendt, de homens em tempos sombrios, (...) o que quer dizer que situações semelhantes, que oporão mesquinhez e grandeza ou as mesclarão, poderão ser encontradas em passados distantes ou no futuro remoto. Isto torna este O caso Última Hora e o cerco da imprensa ao governo Vargas, de Aloysio Castelo de Carvalho, absolutamente imprescindível".

Para o jornalista Alberto Dines, que assina a orelha do livro, o período que vai de 1949 a 1956 é o mais rico da imprensa brasileira, com o surgimento de importantes órgãos de imprensa, como "Tribuna da Imprensa", "Última Hora" e "Manchete". Segundo ele, "o duelo [travado entre a "Última Hora" e a "Tribuna da Imprensa"], aparentemente singular, é a parte visível de uma selvagem cruzada contra um brilhante repórter [Samuel Wainer] que ousou deixar a redação e a busca de manchetes para ingressar no esclusivíssimo clube dos donos de jornal".

 

Orelha:

O ano de 1952 pode ser classificado na história da imprensa brasileira como Annus Mirabillis, Ano Milagroso (excelente, dourado, em contraposição ao Annus Horribilis). E como todas as efemérides anuais, esta também transcende ao ano-calendário, estendendo-se de 1949 a 1956.

No núcleo central está a adoção pelo “Diário Carioca” do novo modelo de escrita jornalística que modernizará não apenas o conteúdo, mas o visual dos jornais. No mesmo ano, uma dupla revolução no segmento das revistas noticiosas: os lançamentos do semanário ilustrado “Manchete” que uma década depois já ameaçará a hegemonia do poderoso “O Cruzeiro” e do quinzenário “Visão”, introdutor do formato e estilo da americana “Time”, hoje dominante no mercado de semanários noticiosos.

No período posterior e fruto desta dinâmica registra-se a mais decisiva transformação de um diário que funcionará como paradigma do jornalismo brasileiro nas décadas seguintes – a reforma do “Jornal do Brasil” (1956-1959).

Na fase imediatamente anterior, está o lançamento de dois vibrantes vespertinos que se tornarão vetores deste apaixonante relato de Aloysio Castelo de Carvalho, dirigidos por dois extraordinários profissionais, ex-amigos e ex-camaradas que a paixão política e a Guerra Fria converterão em ferozes adversários.

A “Tribuna da Imprensa”, de Carlos Lacerda, lançada em 1949, e “Última Hora”, de Samuel Wainer, em 1951 rapidamente se converterão em protagonistas de uma tragédia que culminará com a tentativa de deposição e suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954.

O duelo, aparentemente singular, é a parte visível de uma selvagem cruzada contra um brilhante repórter que ousou deixar a redação e a busca de manchetes para ingressar no exclusivíssimo clube dos donos de jornal. Antes mesmo de Lacerda denunciar Wainer como nascido na Bessarábia (hoje Romênia) e, portanto, inapto a ser proprietário de uma empresa jornalística já era visível a má-vontade contra o filho de imigrantes judeus que conseguiu ultrapassar os muros do gueto para sentar-se junto aos aristocráticos donos do poder.

Quando Wainer cobriu para os “Diários Associados” o julgamento dos criminosos de guerra nazistas em Nurenberg, não poderia imaginar que seis anos depois os venerandos preconceitos – devidamente cosmetizados – o colocariam no banco dos réus como falsificador de documentos e beneficiário de um enorme financiamento com recursos públicos.

Outros jornalistas e donos de jornais beneficiaram-se de generosas ajudas oficiais, caso de José Eduardo de Macedo Soares, que no final do governo Dutra (1949) retribuiu generosamente a ajuda que o “Diário Carioca” prestara à sua candidatura à presidência. Seus pares não reclamaram contra os ostensivos e indevidos privilégios oferecidos ao concorrente.

Fazia parte do negócio jornalístico fazer opções políticas e, em seguida, receber uma farta recompensa. Durante a ditadura militar (sobretudo no período em que Delfim Netto tinha a chave do cofre), grandes empresas expandiram-se graças a empréstimos para novas instalações, compra de equipamentos e concessões de canais televisivos.

Enquanto diretor de “Diretrizes”, Wainer não incomodava mesmo ocupando a faixa da esquerda (hoje o semanário seria considerado “alternativo”). Porém à frente de uma empresa inovadora, ambiciosa e, sobretudo, solidamente implantada, reacenderam-se as velhas implicâncias com a “conspiração judaica”.

O Caso Última Hora, magnificamente exposto neste livro, confirma a justaposição da “pequena história” com a “grande história”. Nenhuma delas pode ser esquecida.

                                  Alberto Dines  -- Agosto de 2012

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